Paradoxos – Eduardo Galeano

Novembro 10, 2009 · Deixe um comentário

Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.
Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E par mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.
Napoleão Boanaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stálin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Marguerita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariátegui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino. Das mãos de um escultor chamado Alejadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.
“Acho que você está meio nervosa”, diz o histérico. “Te odeio”, diz a apaixonada. “Não haverá desvalorização”, diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. “Os militares respeitam a constituição”, diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da defesa.Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua.

E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

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agora é “DA LUTA NÃO ME RETIRO” pro DCE UFS

Outubro 31, 2009 · Deixe um comentário

confira aqui o material da chapa da luta não me retiro que disputa as eleições para o dce da ufs!
basta clicar na nossa imagem!

compromisso em defesa da educação e militância estudantil real e combativa!

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DCE-UEPG retorna à luta!

Outubro 31, 2009 · 4 Comentários

Recentemente aconteceu o processo eleitoral do Diretório Central dos Estudantes da UEPG, e o resultado é bastante positivo para as forças de esquerda!

Chapa 1 - Outros Tempos – Despertar da Sonolência (Barricadas/PCB/Prestistas/PSOL/independentes): 606 votos (62,73%)

Chapa 2 – Em Defesa da UEPG (UJS/PCdoB): 360 votos (37,27%)

Nulos/brancos: 30

Parabéns aos lutadores e lutadoras que retomaram à militância combativa e de esquerda, o DCE da UEPG!

 

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Carta à Frente Outras Palavras | UFPR

Outubro 29, 2009 · Deixe um comentário

Aos estudantes que acompanharam o processo da “Frente Outras Palavras” no movimento estudantil da UFPR

Breve balanço sobre o movimento estudantil da UFPR em 2009 e a relação entre a “unidade” das esquerdas e as eleições para o DCE

“Todo avanço efetivo é mais importante que

uma dúzia de programas” Karl Marx (1875)

A frente “Outra Palavras” surgiu como uma tentativa de unificação das esquerdas do movimento estudantil da UFPR, comprometida com atuar criticamente nos problemas gerais da nossa universidade, do Ensino Superior e suas políticas públicas.

Quando da composição da Frente no início de 2009, a proposta defendida pelo Barricadas (e encaminhada como consenso tanto na antiga chapa Cantamos quanto pelo PSTU que não a compunha) foi a da conformação de um espaço unitário que permitisse aos coletivos aprofundar suas formulações próprias e encaminhasse lutas conjuntas. Essas lutas, ações práticas conjuntas permitiriam uma reflexão e formulação também conjunta e construção de síntese entre esses estudantes.

Histórico recente

A última reunião da Frente (21/10/09, realizada no CAP) foi convocada com o objetivo de avaliar o funcionamento e atuação da mesma, objetivo este tirado na muito mais esvaziada reunião também realizada no CAP, poucos dias antes do início do Congresso dos Estudantes da UFPR.

Para esta reunião houve apelo por parte dos militantes do Coletivo Barricadas para a remarcação da data, em função da necessidade de maior tempo para debater internamente, uma vez que gostaríamos de trazer uma discussão qualificada acerca da pauta, da conjuntura do movimento estudantil e de uma construção apressada sobre chapa de DCE.

Porém, partindo da justificativa de que “com as eleições, está colocada uma tarefa urgente para os Estudantes da UFPR, a de resgatar o DCE como um dos instrumentos de luta”, articulou-se e forçou-se essa reunião, mesmo sabendo que o Coletivo Barricadas precisaria de mais tempo para debater internamente.

Avaliamos, portanto, que se criou uma “falsa urgência” de realização da reunião, sob argumentos da importância da construção da unidade na esquerda, quando na verdade o objetivo verdadeiro era o de amarrar a construção de uma chapa “unitária” para o DCE, deixando de lado o debate sobre quais as necessidades da reorganização do movimento estudantil atual.

As avaliações feitas durante a reunião foram rasas e serviram como tentativa de justificar a suposta importância de uma frente, para encaminhar sua possível reestruturação e articular uma chapa com apoiadores para as eleições do DCE. Isto demonstra como a tentativa de discutir os rumos de uma atuação conjunta com as esquerdas no movimento estudantil (a partir de uma avaliação franca dos motivos de nosso fracasso enquanto frente) foi deixada de lado em nome da discussãosimplista sobre chapa para as eleições de DCE.

Ao longo do ano a frente teve um funcionamento muito aquém do que deveria para organizar a militância de esquerda na UFPR. Logo ela se tornou um espaço de acordo de entre forças cuja função não era estabelecida, o que tornou as reuniões esvaziadas e esparsas, com poucas atividades realizadas. Basicamente a frente fez três debates, o que inaugurou a frente – sobre Educação e Crise – um sobre concepção de movimento (que não cumpriu nenhuma função) e outro sobre vestibular unificado. O ponto crítico desta intervenção foi a organização e a atuação no Congresso de Estudantes, esvaziado de debates sobre a UFPR e o movimento estudantil, no qual os principais “debates” foram intrigas entre grupos da Frente.

O que fazer nisso tudo

O Coletivo Barricadas busca a superação desta forma de atuação centrada em acordo de forças, esvaziada de discussões, resumida a atuações apressadas e feitas de última hora. Não vemos sentido neste tipo de militância. Vemos a reestruturação do movimento estudantil geral da UFPR por meio de um diálogo com os estudantes que busque entender a realidade da UFPR, articulada com a totalidade das questões sobre as políticas educacionais e o modo capitalista de produção, com a tentativa de apreender, estudar e pesquisar as formas de dominação que se realizam mediante a organização curricular, nas relações entre as categorias, cursos, enfim: na experiência real e prática – como exemplo: o modo de reprodução da classe e frações dominantes na escolarização superior, a terceirização de funções subalternas, a dominação de ouvintes sobre surdos, a dominação masculina, a dominação dos gêneros legítimos, relações entre territórios de Estados imperializados e imperialistas, colonialismo, pós-colonialismo etc.

A unidade não se chama, a unidade se constrói

Durante o congresso acusaram-nos de “dar um giro à direita”, de “particularismo”, “incoerência teórica”, de ter feito uma tese incompleta e com ausência de análise, de etc. Ao mesmo tempo em que o Barricadas era cobrado por suas posições e críticas realizadas (o que é legítimo) não encontramos espaço para colocar de maneira clara, fraterna e satisfatória quais nossas formulações e problematizações sobre o movimento estudantil, nem no Congresso nem nas últimas reuniões da Frente.

Apesar disso tudo, chama-se os estudantes da UFPR E o Coletivo Barricadas para a construção de unidade (segundo pretende a convocatória “Pela Unidade dos Lutadores”) em torno de uma chapa para o DCE. Sem expor claramente quais os motivos que levaram às acusações do “giro de política” do Barricadas (objetivo não cumprido na reunião do dia 20).

Fazemos esta análise compreendendo que este problema deve ser superado e entendido a partir da totalidade das relações políticas entre as esquerdas da UFPR, mas entendemos ser esta uma verdadeira tentativa defalsa unidade, que arrisca impossibilitar uma militância de esquerda coesa e coerente, franca em suas diferenças e comprometida com uma atuação valente frente ao esfacelamento da universidade brasileira, que se reflete nas cotidianas problemáticas vividas pelos estudantes. Diante disso, pouco importa uma análise superficial que nos levaria a esta falsa unificação apressada, construindo uma chapa de DCE sob tais circunstâncias.

Defendemos: a real unificação das esquerdas (com sentido concreto e não apenas de discurso), a síntese de pautas e acúmulos com estudantes e militantes, junto com isso a reorganização dos espaços do movimento estudantil geral dentro da UFPR (espaços estes não existentes), a ampla divulgação do ME de esquerda e seus objetivos na universidade etc.

Deste modo: não atenderemos o chamado conflituoso de “unidade” que, no momento atual, significa pressão para integrar uma chapa surgida da uma frente desarticulada que deixou escapar à memória dos estudantes a importância das lutas gerais do movimento estudantil.

Outras unidades virão: desde que prevaleça o respeito às diferentes concepções, o debate franco com direito de divergências e contraditório e à ampla defesa; lembramos: a “unidade” jamais deveria se pautar somente por eleições – com ou sem eleições, a tarefa de ter instrumentos de luta está colocada, e a militância deve se dar mesmo sem entidades!

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(UFS) Discussão: papel das eleições do DCE

Outubro 14, 2009 · Deixe um comentário

o campo do movimento estudantil “Barricadas abrem caminhos” chama tod@s para este sábado (17/10), a partir das 9hrs, discutir o papel das eleições do DCE. Sintam-se todos convidados. O debate vai ser no prédio “Amadeus”, na Rua Lagarto, 1191, em frente a Telemar. Não tem erro. Seria bom se as pessoas confirmassem e pá…
Concordando com e-mails já enviados nas listas, nós do Barricadas achamos que o ME da UFS deve fazer essa discussão em uma reunião própria para esse debate e não somente que seja um ponto de pauta da plenária do ME UFS de quinta, pois esse debate é muito delicado e exige um tempo e reflexão maior, afinal a plenária tem outros pontos e o tempo não é tão grande assim. Entender a GRANDE importância dessa reunião, é entender que o movimento estudantil da UFS está se movimentando e questionando todas as esferas do poder da UFS, seja através de entidades ou de cargos, como os da reitoria.

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Tese Congresso UFPR

Outubro 7, 2009 · Deixe um comentário

Você pode já conferir mais uma formulação do Barricadas publicada aqui neste blog.

É a tese (ou pesquisa) feita ao Congresso de Estudantes da UFPR de 2009, que ocorreu entre os dias 1 e 4 de outubro.

Para visualizá-la, clique aqui.

Para ver todas as teses produzidas pelo Barricadas, clique aqui (ou no botão escrito “teses” ao lado).

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Plenária de Avaliação dos Cursos da UFS

Setembro 15, 2009 · 1 Comentário

Na quarta dia 16/09 vai acontecer a segunda plenária estudantil de avaliação dos cursos, ela será às 15hs entre os blocos departamentais 1 e 2 no campus São Cristóvão.
Segue reprodução do panfleto assinado e distribuídos por vários Centros Acadêmicos e coletivos.

Qual é a situação de seu curso?

A universidade pública brasileira está passando por diversas transformações: expansão, reestruturação das estruturas curriculares dos cursos, a tal “reforma universitária”… O governo propõe um modelo de avaliação chamado ENADE (Exame Nacional de Desempenho Estudantil), que pune os cursos mais deficientes com corte de verbas, quando o lógico seria aumentá-las, promove a concorrência entre as universidades através do ranqueamento, além de não avaliar todos os problemas dos cursos.

Sentimos que há uma precarização cada vez maior em nossa formação: faltam coisas fundamentais, como laboratórios equipados, livros na biblioteca, professores/as na sala de aula e um Restaurante Universitário de qualidade (na UFS, só o campus de São Cristóvão tem RESUN!).

Nós queremos propor algo diferente: que nós mesmos/as, estudantes, façamos a avaliação dos nossos cursos! O que falta em seu curso? Quais as dificuldades que você enfrenta na universidade para ter uma educação como gostaria? A assistência estudantil é satisfatória? Os laboratórios do seu curso têm equipamento? E o RESUN (iih, melhor nem falar!)? E os cursos novos, como andam as condições de estudo?

Vamos fazer um raio X da universidade com a nossa perspectiva, com a nossa voz e organizados unirmos forças pra construir soluções e conquistar melhorias, pois muitos dos problemas enfrentados em vários cursos têm a mesma raiz.

Vamos nos mobilizar já pela melhoria da Universidade!

Fica o convite: Plenária Estudantil de Avaliação dos Cursos

Quando? Quarta-feira, 16/09, às 15 horas.

Onde? Entre o Bloco departamental 1 e 2.

quino

- Realização -
C.A’s: Arquitetura, Direito, Comunicação Social, Letras, Agronomia, Educação Física, Física, Psicologia, Enfermagem e Conselho de Residentes da UFS
Executivas de Curso: ENECOS (Comunicação Social), EXNEEF (Educação Física) ENEBIO (Biologia), ABEEF (Eng. Florestal), FEAB(Agronomia)
Coletivos: Uma Outra História, Geografia na Luta, Espaço de Vivência Agroecológica (EVA), Barricadas Abrem Caminhos, Reviravolta-ANEL.

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Façamos por nossas mãos a nossa própria avaliação!

Agosto 28, 2009 · Deixe um comentário

O momento atual que vários cursos da UFS vem passando, enquadrando a Universidade num cenário de sucateamento do ensino superior público, tem tornado nossos cursos meros reprodutores de uma lógica mercantilizada da educação.

Entedemos que essa realidade não pode ser vista como natural e deve ser combatida de forma unitária, pois somente um grupo ou centro acadêmico atuando de forma isolada é incapaz de cumprir com uma tarefa tão difícil e importante. Por isso, o Campo do movimento estudantil Barricadas Abrem Caminhos convida a todas e todos estudantes, CA´s, DA´s, Coletivos Organizados, Conselho de Residentes, AAU, DCE e demais entidades estudantis a participarem de uma reunião no dia 03 de setembro as 15:00 no RESUN, com o intuito de o movimento estudantil da UFS construir as bases e a metodologia de uma ampla plenária estudantil que dê início a ao nosso processo de avaliação das condições de ensino, pesquisa e extensão da UFS, e a constução de uma pauta de reivindicações em comum.

Esta reunião prepatória é importante para que sejam contempladas as diversas demandas e visões dos estudantes da UFS, uma vez que nós do barricadas não achamos que temos todas as respostas e que o sucesso de tal atividade está condicionada a participação de todos os interessados, pois apresentar fórmulas prontas não é a melhor saída diante do tamanho e da diversidade do Movimento Estudantil da UFS.

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Barricadas Sergipe Convida: Dia do calouro 2009/2

Agosto 26, 2009 · Deixe um comentário

O campo Barricadas abrem caminhos convida a todos/as para participar dos debates do nosso dia do calouro que vai rolar na semana que vem, dia 02.

Serão dois debates sobre formação profissional que acontecerão no Auditório do CECH no campus São Cristóvão.
14hs – A formação profissional em Saúde.
19hs – Regulamentação da profissão e mercado de trabalho.

calourada

Clique na imagem para ver o cartaz

Até lá!!

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Balanço e perspectivas do CNE- Congresso Nacional de Estudantes

Julho 17, 2009 · Deixe um comentário

O campo Barricadas Abrem Caminhos vem por meio dessa nota, publicar a sua avaliação sobre o Congresso Nacional dos Estudantes, realizado entre os dias 11 e 14 de junho na UFRJ.

É importante lembrar

O Congresso Nacional dos Estudantes foi chamado a partir do Encontro Nacional de Estudantes (ENE), realizado em Betim (MG) no dia 4 de julho de 2008, quando reuniu cerca de 500 estudantes. Este tinha como um dos objetivos facilitar a participação de diversos delegados estudantes no congresso da Conlutas, que se realizaria nos dias seguintes, no mesmo local.

A participação estudantil na Conlutas, defendida pela principal força de ambos os espaços, o PSTU, contribuiu bastante para a consolidação de uma maioria/hegemonia por parte dessa força no espaço, ainda mais com as rupturas antes e depois deste episódio. Desse mesmo ENE, não participaram setores importantes da oposição de esquerda da UNE, por discordarem, entre outras coisas, do seu método de construção. É daí que surge o CNE.

Após a criação da Conlute (enquanto frente de atuação dentro da UNE) em 2004, e a criação da Conlute (enquanto alternativa oposta à UNE) em 2005, o movimento estudantil brasileiro se viu numa polêmica que parecia definidora de seus rumos. Em várias universidades do país e encontros do movimento estudantil de área, estava colocada uma polarização de ruptura ou não com a União Nacional dos Estudantes como discussão central da reorganização do movimento estudantil.

A Conlute, fundada enquanto alternativa oposta a UNE num encontro com cerca de 900 estudantes no Fórum Social Mundial, não conseguiu agregar demais setores durante a sua curta vida. A “polarização” entre romper ou não com a UNE, se traduziu na prática em divisão da esquerda no movimento estudantil. O reflexo da fragmentação foi sentido no cotidiano das lutas, nas disputas de entidades, no enfrentamento com as políticas privatizantes do governo Lula. O “novo movimento estudantil”, já propagandeado na época para justificar a existência da Conlute, demonstrou sofrer de velhice precoce.

Enquanto isso… a Reforma Universitária, iniciada no governo FHC com uma resistência ativa de diversos setores da esquerda, agora passeava sob a “vanguarda” que debatia a tal ruptura. Parte da esquerda do movimento estudantil, que entendia ser importante travar a luta contra a reforma universitária também dentro da UNE (cuja direção majoritária assumiu papel vergonhoso, e abandonou reivindicações históricas do movimento de educação, para defender as reformas de Lula), acabou comprando a lógica da polarização pelo aparato imposta pela postura sectária da Conlute, repetindo o erro de forma invertida. A soma das políticas de Lula, do entreguismo da UNE e a fragmentação da esquerda, contribuiu e muito para o crescimento dos setores governistas do movimento, principalmente nas universidades particulares.

Apenas em 2006, a Frente Nacional de Luta Contra a Reforma Universitária conseguiu reunir novamente os setores da oposição de esquerda da UNE e da Conlute. Conseguiu, durante um importante período, unificar o movimento estudantil através de uma política. Mas minguou posteriormente, também pelo debate do instrumento, da super-estrutura.

O que se esperava do CNE

Nós do campo Barricadas Abrem Caminhos nos dispusemos a participar do CNE, principalmente por acreditarmos na construção da unidade do movimento estudantil combativo, na defesa de um ensino público, gratuito, laico, presencial, de qualidade, a serviço dos trabalhadores e trabalhadoras.

Avaliamos, ainda, que este poderia ser um espaço de acúmulo de concepção de movimento, voltado a pensar de fato os desafios colocados pelos ataques do capital sobre a educação e a juventude, seus desdobramentos e nossos passos para rearticular a resistência.

Nossa movimentação partiu também da análise de que é preciso articular o ME por fora dos espaços da UNE. Acreditamos que o processo de reorganização deve dar-se forjando espaços autônomos (em relação aos governos, e também em relação aos partidos!) com uma perspectiva clara de combate ao capital, mas dentro de uma lógica de construção unitária e não fragmentadora e divisionista. Mesmo que façamos uma defesa da participação nos fóruns da UNE para a disputa dos estudantes lá presentes (e não pela disputa institucional, pelo vale-tudo-por- crachás ou pelo convencimento da direção majoritária), acreditávamos que esta diferença tática com setores presentes no CNE (que, em maioria, não participam dos fóruns da UNE), pudesse estar abaixo da concordância política e programática.

A perspectiva para o CNE, de nossa parte, era de debater a reorganização do movimento estudantil de maneira séria e aprofundada. Achávamos que a organização de um programa comum para o movimento estudantil poderia ser um passo importante na discussão sobre nossos instrumentos de luta.

Qual Base ???

O Congresso, que contou com cerca de 1350 delegados e delegadas, comprovou a possibilidade de construção de espaços do movimento estudantil por fora da UNE. Esse é seu grande mérito. Dentre os encontros realizados pelos setores da Conlute, este foi o mais numeroso. No entanto, é válido fazermos um comparativo numérico com os espaços da UNE.

O Conune, maior espaço da entidade, costuma juntar aproximadamente 4 mil delegad@s e 8 mil estudantes no total. A tiragem de delegad@s por universidade, tendo quorum mínimo de 5 % do total de estudantes matriculados, significaria que aproximadamente 4 milhões de estudantes estariam “representad@ s”. A expectativa da oposição de esquerda da UNE é de ter aproximadamente 400 delegad@s, sendo 400 mil “representad@ s”.

No CNE, a proporção era de 5 delgad@s a cada 300 votos, com quorum mínimo de 5 % por curso, e não por universidade. Isso significaria 81 mil “representad@ s” pelos 1350 delegad@s presentes (as aspas entre a palavra representad@ s significa nosso questionamento sobre a real dimensão de estudantes envolvidos, conscientes, ativistas de fato).

Esses são números meramente ilustrativos, e, portanto, não podem ser a base principal da argumentação de nenhum dos lados. Além disso, são números superdimensionados, em que pese a grande quantidade de fraudes, estudantes fantasmas, dupla representatividade, e outras habilidosas manobras de construção de hegemonias.

De fato, os grupos que se engalfinham da disputa da hegemonia burocrática da UNE (UJS, MR8, PT, PSDB, DEM, por exemplo), têm, com diferenças, crachás e mais crachás conquistados por vias mais corruptas e artificiais possíveis. Mas, comprova-se também a cada ano, que a presença da oposição de esquerda nessa disputa tem trazido muitos ativistas para o nosso lado da trincheira.

Nas eleições para o CNE em que estivemos presente, vimos que os debates foram abaixo do necessário para polarizar as universidades em torno de alternativas para o movimento estudantil. O debate entre a própria esquerda, ao mesmo tempo em que qualifica as diferenciações de concepção do ME, pecam muitas vezes por “falar para nós mesmos”, pois, neste caso, estamos lutando contra um inimigo que está ausente.

As eleições para o Conune geralmente são muito ricas e fundamentais do ponto de vista estratégico. O enfrentamento aos setores governistas facilita a interpretação para o conjunto d@s estudantes, de qual é a concepção de movimento a ser superada. Onde a esquerda se faz presente, essas eleições são fundamentais para impedir mais ainda o crescimento do governismo nas universidades, de apresentação de propostas alternativas para a educação e sociedade. A abstenção destes processos é uma abertura de portas das universidades onde há militância de esquerda ao avanço neoliberal.

Organização do Congresso

Sabemos as imensas dificuldades existentes na organização de congressos estudantis independentes e autônomos. Por isso, de cara refutamos as críticas clientelistas sobre o espaço, e também as oportunistas sobre as mudanças na programação, etc.

No entanto, na nossa opinião, alguns erros metodológicos foram cometidos, e os prejuízos aos debates foram sentidos. A nossa intenção em apontá-los é de provocar reflexão sobre a prática balizada em uma concepção de movimento.

Uma rodada de GDs, por exemplo, onde havia 18 sobre Ensino público/conjuntura, 1 de Ensino privado/conjuntura, 1 de Combate às opressões e 1 de Cultura, foram claramente insuficientes para aprofundar uma série de debates presentes no nosso cotidiano. O ensino à distância, o ProUni, o Enade, as opressões às mulheres, negros e negras, GLBTT, em grupos separados, obviamente contribuiriam mais para a formulação do tão desejado programa do movimento para enfrentamento da crise.

Nos moldes como ficaram, foi completa a predominância do debate simplista de criação de uma nova entidade para resolução de todos os problemas estudantis. Além disso, as mesas de debate que foram canceladas e o “tempo ocioso” ocupado por atividades de comemoração de 15 anos do Pstu, são exemplo também de uma inabilidade do grupo político majoritário no congresso para conseguir aprovar a sua política principal.

No início da plenária final, outra demonstração de ansiedade hegemonista. Alguns grupos apresentaram uma questão de ordem pedindo que as votações sobre conjuntura, educação, e demais resoluções políticas, fossem realizadas antes da polêmica sobre o instrumento de luta.

Mesmo sabendo que estariam prestes a aprovar uma nova entidade sem programa político, integrantes do Pstu foram ao microfone dizer que este tipo de proposta tinha intenção de tumultuar o vitorioso congresso. Em uma metáfora, seria como se o dono de uma festa de debutante esbravejasse aos convidados, que aqueles que não dançassem a valsa na hora que ele quisesse, estariam lá estragando a sua festinha.

O baile então se tornou uma festa à fantasia. A plenária, daquele momento em diante, passaria a definir coisas sobre a própria ANEL. Nós do campo Barricadas abrem caminhos, despidos de máscaras de palhaço, nos retiramos do plenário após a votação da nova entidade. É de responsabilidade principalmente d@s integrantes da tese “Outros maios virão”, que mesmo sabendo da divergência entre vários participantes do CNE, eles tenham escolhido jogar fora aquela oportunidade de uma construção unitária.

A proposta aprovada vai no sentido oposto do esforço das organizações sindicais em fundar uma nova central unificada. Os métodos que vimos no CNE pelo grupo majoritário, são – e ficaram muito evidentes para tod@s @s presentes – semelhantes aos encontrados na UNE.

Existe um “novo movimento estudantil”?

Se a resposta for positiva, este “novo movimento estudantil” com certeza não era majoritário no CNE. Questionamos, portanto, se essa é uma caracterização real de algo inédito que está em surgimento, ou se é apenas um slogan reciclado para justificar uma concepção.

O principal argumento utilizado para comprovação desta renovação completa do movimento são as ocupações e lutas travadas em 2007. A partir da análise de que as ocupações aplicaram métodos diferenciados e linha política radicalizada, a tese “Outros maios virão” reafirma a necessidade desta nova entidade.

Na nossa avaliação, certamente as últimas grandes mobilizações estudantis demonstraram novas características. No entanto, algumas delas se confrontam com a própria prática do Pstu. Viu-se nas ocupações, por exemplo, um rechaço grande à União Nacional dos Estudantes. Mas, não só. Havia uma desconfiança muito grande a qualquer entidade nacional “representativa”, como a própria Conlute, que se apresentava enquanto alternativa. Pouco se vê nas bases estudantis, inclusive, sequer alguma disposição ou apropriação do debate de entidades nacionais.

Foi evidente em algumas ocupações também, grandes conflitos com práticas antigas, como o parlamentarismo estudantil, o aparelhamento, o dirigismo, o oportunismo, etc. Infelizmente, muitas dessas críticas corretas acabavam sendo transformadas num sentimento de “fora partidos/grupos organizados”. Obviamente, discordamos dessa ligação automática do problema na relação partido-movimento, com os demais problemas. As organizações, muitas vezes são sim responsáveis por essas práticas, mas é um absurdo completo, autoritário e simplista, criminalizar os estudantes organizados.

De qualquer forma, achamos que o movimento estudantil deve de fato levantar essas questões para a reflexão, e não escondê-las. Se elas existem, tiveram origem em algum lugar. O aparelhamento de organizações sobre o movimento é um problema concreto, que existe, se repete, e as críticas a isso se fizeram presentes nas ocupações. A lógica dirigista, enraizada num entendimento dos demais estudantes como “massa acéfala”/”estudante-crachá”, também. A tal democracia e os novos métodos, na hora do vamos-ver, estiveram ausentes em muitas ocupações.

Para nós, um “novo movimento estudantil” só poderá ser considerado como tal, no momento que superarmos diversas destas questões. A nossa tarefa é construir espaços sinceros para que isso aconteça, que compreendam balanços e avaliações aprofundadas sobre as nossas práticas e políticas anteriores, para evitar cometer os mesmos erros do passado. Não se viu nenhum balanço sério sobre a própria Conlute. Ela era “A” alternativa a meses atrás. De repente, ninguém sabe, ninguém viu. O exercício da auto-avaliação também faz bem para o movimento de vez em quando.

Outro elemento presente no slogan máximo do CNE é a percepção de que existe um grande ascenso do movimento. Também ponderamos essa visão. De fato, as mobilizações contra o Reuni, redesenhos e repressão conseguiram impor para toda a sociedade o problema da universidade no país hoje. Mas, se há um ascenso hoje, infelizmente continua sendo o do capital.

O movimento estudantil e a classe trabalhadora como um todo vivem um período duríssimo de retirada de direitos (mesmo nos marcos da democracia burguesa), de reestruturação produtiva (também na universidade), de enorme repressão, etc. O momento agora é sim de reorganização da esquerda, e esse processo tem construído resistências muito importantes. Mas não é secundário o fato de todas as nossas reivindicações serem de defensiva. São reflexo da nossa conjuntura.

A mesma proporção de poder do governo Lula (pela altíssima popularidade, conciliação com a direita mais atrasada, submissão ao capital internacional, cooptação de movimentos) serve de parâmetro para os prejuízos à classe, à juventude e aos socialistas de modo geral. O “novo movimento estudantil”, para ser novo de fato, precisará ser a síntese de um programa anti-sistêmico construído por tod@s aqueles e aquelas em luta hoje contra os efeitos da crise na educação e na sociedade como um todo.

Perspectivas

O movimento estudantil existente (dentro desta lógica, o velho) foi insignificantemente citado no CNE. Uma das grandes ferramentas reais de articulação estudantil, o Fenex (Fórum de Executivas e Federações de Curso), parecia não existir no CNE. Sendo que este, durante bom tempo, foi quem tocou as principais lutas unitárias do ME combativo por fora da UNE e tem demonstrado inserção de base nos seus espaços.

É necessária uma organização nacional do movimento estudantil combativo? Sim. Por dentro da oposição de esquerda da UNE ou da ANEL? Ambos são parte do processo de reorganização. Na nossa opinião, existem condições reais de unificarmos estes setores em um mesmo fórum de mobilização. Se temos uma diferença tática grande, o que nos unifica? A política e as linhas gerais do programa. Como superar essas divergências? Na luta concreta e cotidiana.

Ouvimos algumas críticas no CNE sobre a nossa proposta do Fórum, principalmente entorno de sua “fragilidade organizativa”. As frentes unitárias, como foi a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, pecaram neste sentido e nós temos concordância. Erraram muito, e morreram quando tentaram avançar mais do que era possível, dada a fragilidade que está colocada nas relações entre os setores da própria esquerda (e não só no instrumento da Frente em si).

Ou assumimos estas divergências e as superamos dentro das condições atuais, ou cairemos num período assustador em que iremos nos dividir diante de uma crise perigosíssima. O desgaste das nossas forças nessa disputa em torno da razão absoluta, de quais instrumentos devemos construir (no pior estilo “pra que time você torce”), contribuirá bem menos para a reorganização do que a unificação de nossa combatividade no seio do movimento.

Nós acreditamos que a proposta da ANEL, além de errar originalmente em seu modo de construção, não contempla as demandas para a organicidade necessária. Reflexo disso, por exemplo, é sua composição ser mais reduzida que a própria Conlute. É grande o risco de ela deixar de existir de repente, até que outra nova entidade apareça como solução messiânica da luta estudantil. E aí descobriríamos o que vem depois da tragédia e da farsa na História.

Também alertamos que a oposição de esquerda da UNE não pode cair no jogo da polarização instrumental. Mesmo enxergando a ANEL como uma proposta sectária e de auto-construção, achamos um erro se trancar mais à agenda da UNE e se negar a debater com @s estudantes que construíram o CNE. Ainda mais porque @s militantes insatisfeit@ s com a proposta de nova entidade compunham a maioria das teses, ou simplesmente expressaram essa opinião no próprio CNE.

Queremos debater com tod@s aqueles dispost@s a se articular nacionalmente, a partir de um recorte claro: a luta irredutível contra a mercantilização do ensino, anti-capitalista, e, portanto, de oposição ao governo Lula. A nossa proposta é a organização de um fórum de mobilização estudantil interligado principalmente nas lutas estaduais e locais, unitário e democrático, e que consiga impulsionar e aglutinar forças nesta longa batalha. Que consiga a partir dessas experiências, construir articulações nacionais, espaços de debate, campanhas, etc. Sua organicidade estará no programa. E, só aceitando as dificuldades atuais da luta de classes, conseguiremos apontar para alguma alternativa real do movimento estudantil. Não temos uma resposta pronta e nem achamos que a temos. Por isso, estamos abert@s ao debate e sempre dispost@s a lutar.

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