Entradas do Novembro 2007

Vitória na PUC-SP

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

A votação do projeto de redesenho institucional da PUC-SP, inicialmente marcada para 12 de dezembro foi transferida para o dia 26 de março. O projeto foi motivo de ocupação da reitoria da universidade que durou quatro dias, até a entrada da polícia militar no prédio, que retirou os estudantes de forma truculenta.

O projeto de redesenho se assemelha a muitos aspectos da reforma universitária que há alguns anos é implementada nas universidades públicas e é debatido pelo movimento estudantil há meses. Embora o projeto ainda não tenha sido barrado, o aumento de prazo é uma vitória da mobilização dos estudantes da PUC que, mesmo com repressão da reitoria e da polícia, não desistiram de lutar contra o desmantelamento da educação.

Os militantes do Campo Barricadas estiveram na ocupação e permanecem na luta da PUC.

 

Blog da ocupação

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IFETs e a Escola Técnica-UFPR

Novembro 29, 2007 · 3 Comentários

Entender o que são os IFETs (Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia) fica mais fácil quando os entendemos dentro de uma política geral de governo. A criação de novas instituições federais de ensino a partir de outras já existentes vem dentro de uma lógica de maquiar dados e estatísticas, que mostra um desenvolvimento virtual do nosso país. Exemplos não faltam: há dois anos o CEFET-PR virou Universidade Tecnológica (UTF). Nesse tempo inúmeros cursos foram criados às pressas e vários outros foram fechados.Abertura de novos cursos e/ou novas vagas nas instituições já existentes também é filme já visto. Bom exemplo disso é a UFPR Litoral, campus que foi inaugurado com alunos e prédio, mas sem professores, equipamentos, biblioteca, laboratórios e sequer grade curricular.

No caso da Escola Técnica-UFPR além dos possíveis novos cursos, há o problema de alguns já existentes em situação irregular. Exemplo é o curso de Massoterapia, um curso pago feito em “convênio” entre a ET e uma associação de massoterapia, da qual o professor responsável é representante do Conselho Universitário da UFPR. Com a instituição do IFET, esse curso (dentre outros na educação presencial e à distância) será regulamentado.

Estas características colocam o IFET lado a lado ao Reuni em crescimento irresponsável ou mesmo irreal, como um irmão mais novo. Mas isso é mais um efeito colateral perto do que o IFET guarda de mais grave, que é o tipo de formação que ele visa.

O decreto vir na mesma corrente que tende a diminuir as licenciaturas dos cursos de graduação não é coincidência. Vinte por cento da verba do IFET é destinado a cursos de licenciatura e programas especiais de formação pedagógica, com vista à formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática. É a versão fast delivery de um diploma que é raro nas particulares (por serem cursos que não lucram) e nas públicas (que têm dificuldade em manter o estudante até o fim desses cursos).

Na ET-UFPR isso significa novos cursos de licenciatura que, ao contrário dos cursos hoje existentes na UFPR, não terão o suporte do Setor de Educação desta universidade. Se o professor de matemática formado na UFPR tem o suporte dos setores de exatas e educação, além da estrutura da universidade; o professor formado na nova instituição terá uma formação rápida com o objetivo de suprir demanda do mercado.

A pesquisa nesses centros, quando presente, não foge da regra. Deve priorizar o empreendedorismo e o cooperativismo, e as atividades de extensão devem estar articuladas com o setor produtivo. A lógica do que o Governo chama de princípios e finalidades da educação profissional e tecnológica é, na verdade, a lógica de que o ensino deve estar voltado a suprir demandas do mercado.

No ensino de pós-graduação, o decreto segue na linha do que vem sendo a regra na educação brasileira. Divide-se entre cursos pagos de especialização e cursos de mestrado e doutorado profissionais, ou seja, sem tese ou dissertação. Fica clara a opção, também na pós-graduação, pela quantidade em detrimento da qualidade.

Ainda há um detalhe, não menos importante, da autonomia universitária. Setenta por cento da verba do IFET deve ser, obrigatoriamente, utilizado em demandas específicas do projeto.

É importante que se entenda o IFET dentro desse contexto maior de políticas gerais do Governo para que se evite debates perdidos sobre vírgulas ou parágrafos. Assim como com o Reuni, a divergência com o IFET não está em parte do decreto, mas na concepção de educação que ele carrega. Educação que visa a reprodução de mão-de-obra qualificada e barata, e não a formação crítica de uma universidade nos moldes que o movimento de educação historicamente defendeu.

Decreto do IFET

Naiady Piva – Coordenadora de Comunicação, Cultura e Jogos do DCE/UFPR e militante do Campo Barricadas.

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Barricadas fecham ruas porém abrem caminhos

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Somos um grupo de jovens unidos pela ansiedade de mudar os rumos do nosso tempo, certos de que apenas transformando a sociedade é possível pensar em outro modelo de educação.

Esse manifesto é um chamado para o movimento estudantil que não silencia diante a retirada de direitos, e não se ajoelha por migalhas de governos. Só em movimento, trocando experiências e lutando efrentaremos a mercatilização da educação e a insuficiência dos transportes públicos.

O campo Barricadas Abrem Caminhos se organiza em função de pensar, discutir e executar estratégias não só para o movimento estudantil, mas para a juventude, sem segregar os que têm e os que não têm acesso à educação. Sem dogmatismo, auto-proclamação, buscamos sínteses com outros setores, agurpamentos, militantes e ativistas de esquerda para construir o enfrentamento necessário.

Para nós é importante estar no Congresso da UBES, pois enxergamos que as dificuldadespelas quais nossas escolas passam fazem parte da realidade da educação no país, e que a resistência em escala nacional fortalece a defese de nossos direitos. Acreditamos que a unidade do movimento se dá na luta, na prática diária de quem constrói de forma horizontal e autônoma, crítica à realidade e atenda às suas raízes.

Autonomia para não ter rabo preso com governos, partidos ou qualquer instância de poder, apesar de não sermos contra partidos. Para garantir a autonomia é necessário um espaço democrático, onde todos pensam e decidam, sendo protagonistas de lutas e idéias.

Mais do que disputar o espaço da UBES, queremos construir o movimento estudantil que tenha função de mobilização, formação e organização dos estudantes. Um movimento que possa contribuir, de fato, para a construção de uma educação pública e uma alternativa socialista, através do dia-a-dia do grêmio e da escola.

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