Entradas do Dezembro 2007

Enade… BOICOTE!

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

Que se pinte de negro, que se pinte de
mulato, que se pinte de operário, …
pois a universidade não pertence a ninguém
e sim a todo povo.
” (Ernesto CHE Guevara)

QUEM É ESSE TAL DE ENADE?



O Enade é parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior). A Lei do Sinaes marcou o início da implementação da
Reforma Universitária no Brasil. Compõe o Sinaes avaliação das
instituições, dos cursos e o Enade.
Ao invés de avaliar para melhorar, o Enade avalia para punir, para
checar se as universidades estão adequadas a um modelo de ensino
onde o que importa é a produtividade e o lucro, e não a qualidadede
ensino como algo que renda frutos para o estudante e a sociedade.
Algumas características importantes do ENADE:

RANQUEAMENTO



No Enade o desempenho dos estudantes será expresso em conceitos de 1 a 5.
Sendo assim, os resultados do Enade são utilizados facilmente como
propaganda para o mercado, enfatizando uma visão produtivista do ensino e
deixando de lado seu papel social.
Além de ser uma avaliação que não diz nada, pois não apresenta um
diagnóstico da situação do curso e instituição, que é o papel de uma avaliação
de verdade.

CARÁTER PUNITIVO E OBRIGATÓRIO



O Enade prevê um aumento de verba para os cursos bem avaliados e
diminuição para os contrários. Ao ser punitivo, o Enade não fornece uma
análise crítica e propositiva para intervenções, com o objetivo de sanar os
problemas. Pelo contrário, pune os cursos incentivando inclusive que os cursos
se adequem à lógica do Enade. Se a prova valoriza uma formação humanista,
os cursos vão se adequar a essa lógica; se ela valoriza uma formação
tecnicista, vão se adequar também.

CENTRALIZAÇÃO

O ENADE é realizado por uma comissão (a Conaes) composta majoritariamente
por representantes do MEC. Dessa maneira, o processo é centralizador. Não há
participação das Instituições de Ensino e da sociedade civil.
DESRESPEITO ÀS CARACTERÍSTICAS REGIONAIS
O ENADE é um exame único pra todo Brasil. Dessa forma analisa o ensino como
se o país todo fosse uma coisa só, ignorando características sociais, políticas,
econômicas, culturais, prejudicando a diversidade cultural brasileira que se
reflete no ensino das instituições.

INDIFERENCIAÇÃO ENTRE PÚBLICO E PRIVADO



Assim como o Provão do governo FHC, o Sinaes ignora a necessidade de se
avaliar instituições públicas e privadas de modo diferenciado. Não se pode
avaliar da mesma maneira uma instituição que depende de verbas públicas
para se manter e uma instituição cujo financiamento provém diretamente da
arrecadação com mensalidades e que pode aumentá-las sem nenhum tipo de
regulação ou restrição.

PREMIAÇÃO DOS BEM COLOCADOS



O Sinaes premia os estudantes com melhor desempenho no Enade com bolsas
no MEC. Além de avaliar individualmente cada estudante, acirra a
competitividade entre estes e enfraquece os possíveis boicotes, pois o avaliado
terá que abrir mão de concorrer a estes prêmios.
Essa tentativa de “comprar” os sorteados com bolsas de estudos ainda fere um
princípio constitucional muito importante que é o da isonomia, ou seja, a
igualdade de direitos, já que só quem é sorteado para o Enade pode concorrer
às bolsas.

Categorias: Movimento estudantil

…passo a passo…

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

1- Criar coletivos pró-boicote formados por entidades e estudantes que queiram ajudar no boicote;

2- Fazer debates sobre o Enade com estudantes, professores e técnicos. A decisão por boicote deve ser feita em assembléias de estudantes que farão a prova ou de todos os estudantes do curso;

3- Mapear os locais da prova e dividir as pessoas no dia do exame para distribuir panfletos e adesivos do boicote .

- Não deixe de ir à prova se não pode ter problemas com o diploma. Vá para boicotar!
- Quem boicota não pode ser punido. Então leve o adesivo do boicote com você.

Ao Boicote!

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Ubes parada

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

Chegamos a mais um congresso da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e temos pouco a comemorar. A educação no estado sofre com 12 anos de Governos Tucanos enquanto o Governo Lula faz as alterações em âmbito nacional que consolidam o sucateamento do ensino público.
A entidade comandade pela UJS, MR8 e PT durante esse período, em nada contribuiu com as lutas de resistência ao ideário neoliberal . Pelo contrário, hoje, é sustentada pelo Governo Federal e cumpre o papel de mostrar os “avanços”, ou mentiras?
Porém os movimentos sociais se re-organizam. Expressão disso é o Encontro Nacional Contra as Reformas Neoliberais do dia 25 de março, a Plenária Nacional Contra a Reforma Universitária do dia 26 de março, que construíram as bases para atos unificados nos dias 17 de abril e 23 de maio. A jornada em defesa da educação pública, o plebiscito da Vale demonstram importância do fortalecimento de intrumentos como o Fórum Nacional de Mobilização na unidade dos trabalhadores, estudantes e mulheres do campo e da cidade.
Para tanto colocamos como ordem do dia a construção por parte da oposição de esquerda, no movimento secundarista, de espaços de frentes, fóruns, comitês para unidade. As medidas de desmontedo Estados como as fundações, o PDE e a redução da maioridade penal devem ser combatidas.

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Movimentos Sociais – pra quê?

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

“… somos um enxame,
atacando um gigante…”

Muito se fala, muito se estuda, e muito se escreve sobre “movimentos sociais” em nosso curso. Teorias e mais teorias acumuladas em livros e mentes… teorias sobre o movimento operário, o movimento camponês, o de mulheres, de negras e negros, o GLBTT, e diversos outros movimentos e atores transformadores da sociedade… teorias sobre o papel dos novos movimentos sociais que surgem. Mas ao mesmo tempo em que se fala tanto – e há até certa saturação no curso com relação a isto – em movimentos sociais, percebe-se cada vez mais certo afastamento dos estudantes em relação a estes mesmos movimentos sociais em sua vida cotidiana, na prática mesmo. Em nosso curso talvez, tal fato ocorra pela influência do pensamento e da metodologia positivista – por muito tempo a base de nossa ciência -, que postula a diferenciação e o completo afastamento entre observador e o objeto observado. O total afastamento entre o cientista e o seu objeto de estudo (em nosso caso, a sociedade). Parece que movimento social é algo tão distante, que está tão longe de nossa realidade, de nossas vidas como estudantes de Ciências Sociais. Por que será que isto acontece?
Para inicio de conversa, temos de nos fazer a pergunta básica: “afinal, mas que diachos é movimento social?” Muito se fetichiza a palavra “movimento social”, mas para nós, militantes do campo Barricadas Abrem Caminhos, movimento social não é só o MST – que talvez seja o que possui maior visibilidade, e que divide corações e mentes na sua luta por reforma agrária e soberania popular. Movimento social também é a luta dos moradores de periferia e de favelas no Rio contra o Caveirão (carro blindado da polícia, que entra na favela atirando “para combater o crime”). Movimento social é se organizar num coletivo pra reivindicar e lutar pela descriminalização do consumo de substâncias consideradas drogas, para assim buscar diminuir o tráfico que estas geram. Movimento social é cobrar do Estado um concurso de docentes, para podermos ter mercado de trabalho e para que nossas licenciaturas não tenham sido em vão. É também, lutar pelas reivindicações mais básicas e essenciais para um ser humano e sua comunidade: por terra, por teto e empregos com direitos.

“…não espere até o momento de aplaudir o ato final…”

Movimento social é isto… é não se deixar levar pelo discurso do fim da história e ficar parado vendo tudo acontecer. Afinal, só quem se mexe, é que sente as correntes que o prendem.

“não vai parar, não vai parar, não vai.”

Nós, do campo Barricadas somos parte daqueles e daquelas que apóiam e participam ativamente do processo de surgimento de novos movimentos e atores sociais, e do processo de reorganização destes movimentos. Exemplo disto, é o Encontro do dia 25 de Março, em São Paulo, convocado pela INTERSINDICAL, CONLUTAS, MST, Assembléia Popular e Pastorais Sociais, que contou com a participação de mais de 6 mil militantes de diversas entidades e movimentos (DCEs, CAs, Frentes de luta contra as reformas neoliberais, Sindicatos, Sem Terra, Sem Teto, grupos, organizações e partidos de esquerda), discutindo os rumos do movimento social e um calendário unificado de lutas para este segundo semestre.

E nós, acadêmicos de Ciências Sociais o que temos a ver com isto?
No que nossa entidade, o Centro Acadêmico pode influenciar?

Ora, nós como estudantes de Ciências Sociais, e como quaisquer outros seres humanos, temos nossas necessidades e reivindicações… temos nossas lutas: a luta pela implementação da Sociologia no Ensino Médio, a tarefa de construção de um currículo à altura dos desafios do ensino desta disciplina; a luta por concursos para docentes em nosso curso e por concursos para podermos ser docentes no Ensino Médio; a luta por estágios e extensão para nós, estudantes do curso (e há tantos lugares em que poderíamos atuar e auxiliar – ongs, sindicatos, cooperativas, projetos de economia solidária, entre outros espaços – sem com isto atrapalhar nossos estudos, como acontece hoje, quando as únicas opções são estágios precarizados (como na Biblioteca Pública, na Polícia Civil, em empresas, e na nossa própria universidade, através do bolsa permanência – que deveria receber o nome de “bolsa exploração do discente para não contratação de técnico administrativo), ou então a opção do contrato precário com o Estado através do PSS (Processo Simplificado de Seleção – no qual muitos/as de nossos e nossas colegas estão inseridos, e das/os quais já recebeu o apelido de “PSS = Professor Sem Salário).
Por isto, Centro Acadêmico não é uma entidade abstrata, como alguns acreditam e dizem por ai…

CACS também é movimento social.

“Ou os estudantes se identificam com o destino de seu povo, com eles sofrendo a mesma luta; ou se dissociam dele, e neste caso, serão aliados daqueles que exploram o povo.”
(Florestan Fernandes)

Num contexto de difusão de ideologia do fim da história e do bombardeamento de mensagens de individualismo exacerbado, e de implementação do dito “Estado mínimo”, com a retirada de nossos direitos – conquistados historicamente e com muita luta -, e de precarização de nosso trabalho e do trabalho de todas e todos, não vamos ficar parados. Não nos calaremos, pois sabemos que se assim o fizermos, estaremos fortalecendo este processo. É tempo de partido… é tempo de tomarmos partido e estarmos na luta. É tempo de dizermos: “não retirarão nossos direitos, e nós continuaremos na luta. Nós queremos avançar”, pois como dizia – aqui parafraseando Maiakovski – “o bom militante, é aquele/a que queima suas pontes de retirada.”

“O futuro
Não virá por si só
Se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, juventude!

calcula (estuda),
reflete,
mira bem
e avança!

As vestes poeirentas
De nossos dias
Cabe a ti, juventude, sacudí-las!”

Maiakovski – 1925
“Desatai o futuro!”

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Nós somos Barricadas Abrem Caminhos

Dezembro 26, 2007 · 1 Comentário

Surgimos a partir de uma tese ao 50º Conune, esse ano. De lá pra cá, nos constituímos um campo, um grupo que serve como um espaço de formação, discussão e ação na juventude.
Achamos fundamental a organização coletiva para quem quer transformar a realidade, quem não está satisfeito com as coisas como estão hoje e pretende fazer algo a respeito. Por isso, temos um projeto, e queremos convidar todas as pessoas a conhecerem o Barricadas e lutarem conosco pelas mudanças necessárias. Achamos que só através da organização coletiva isto é possível. Pois atuando em grupo, com todas as pessoas sendo ouvindas, podemos de fato interferir na realidade, muito mais do que individualmente.
Procure a gente, dentro da ocupação e pela PUC. Estamos aqui! Venha conhecer o Barricadas e construir uma nova universidade e uma sociedade justa e igualitária!

A ocupação vencerá!

Democracia na PUC já!

Mudança, só com ampla participação da comunidad universitária nas decisões!

Barricadas Abrem Caminhos, ocupando e resistindo!

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Ocupamos

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

Porque estamos em luta, pela qualidade de ensino e por democracia, ocupamos!

Nós somos Barricadas Abrem Caminhos, e cremos que a realidade que a PUC vive hoje, a da ocupação, coloca uma escolha para cada membro dessa universidade: apoiar a ocupação é estar do lado da última possibilidade de defesa da história de democracia e liberdade da PUC. Estar contra ela é ceder ao autoritarismo que marca essa reitoria e esse processo de transformação profunda da universidade, o Redesenho Institucional.

Queremos um redesenho. Mas não esse, não dessa forma!

Estamos dispostos a dialogar, mas não aceitaremos imposições. Ocupar a reitoria foi a medida necessária para paralizar esse processo de redeenho e iniciarmos um outro, amplo, construído pela comunidade. Não estamos impondo nada, nem aceitaremos imposições de ninguém.
A ocupação é uma medida extrema. Por isso mesmo, foi a última cartada do movimento. Se estamos na reitoria hoje, a culpa é da intransigência da reitoria, ao longo de todo esse tempo. Foi porque ela resolveu se isolar de toda a comunidade, cabando com o diálogo com os professores, funcionários e estudantes.
Achamos que a PUC precisa melhorar, e somos os primeiros a nos dispormos a fazer parte desse processo. Aliás, nós, estudantes da PUC que fazemos parte do Barricadas, fazemos questão de nos envolvermos!
Somos contra esse redesenho em primeiro lugar, pela forma com que ele foi construído. Não é possível que algumas poucas propostas, muito semelhantes entre si e construídas de maneira superestrutural, represente a pluralidade de toda a PUC.
Também sabemos que esse redesenho tem a mesma lógica de adequação do ensino da Reforma Universitária, preparada pelo governo há anos. Ela aprofunda o caráter mercantil do ensino, tendência geral no Brasil. Mas consideramos que o elemento fundamental que gere uma universidade não pode ser o dinheiro.
Nosso compromisso é com o movimento. Estamos lutando por uma educação de qualidade, que inclua cada vez mais os setores necessitados da população, sem perder a excelência de qualidade. E sabemos que isso é possível!

É preciso arrancar as vitórias!

Achamos que precisamos agora convencer cada vez mais pessoas da necessidade dessa ocupação e da importância de suas pautas, para pressionar a reitoria a negociar de verdade. Precisamos fortalecer a ocupação, o instrumento da comunidade para a defesa da democracia hoje.
Esse processo começou mal, e queremos um novo. Apoiamos um redesenho da PUC, mas que seja construído por quem faz a universidade. Ou seja, queremos que cada um da comunidade possa participar ativamente, com capacidade de interferir . Isso é fazer jus ao legado de democracia da história da PUC.
Por isso, é preciso que mostremos à comunidade como estamos abertos ao diálogo. Queremos forçar a Reitoria a dialogar com o movimento de ocupação e ceder. Isso só virá pela pressão. Com isso conseguiremos arrancar as vitórias.

Defendemos:

- Anular esse processo de redesenho e sair da reitoria com a garantia de um novo processo, construído pela comunidade. Para isso, propomos um congresso dos três setores – professores, estudantes e funcionários – que inicie e avance numa proposta de redesenho da comunidade.
- Garantias de que nenhum estudante será punido, seja com processos internos ou judiciais, externos.
- O compromisso de que não passaremos por uma nova política de demissões.
- Não queremos a PUC marcada pelas botas sujas da polícia novamente. Sem invasão da polícia!

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Resistimos

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

Porque estamos em luta, contra a repressão e por democracia, RESISTIMOS!

Nós somos Barricadas Abrem Caminhos. Depois da invasão da tropa de choque e a desocupação, ainda resistimos. Porque a reação será violenta, e a disposição da reitoria é de promover punições exemplares, expulsando estudantes e demitindo professores que tenham, em algum momento da vida, apoiado o movimento estudantil.
Agora ocupamos cada espaço da PUC para dizer não às punições! Nossa força agora deve se voltar para não deixar que a reitoria promova esse massacre. Essa deve ser uma das principais pautas do movimento agora, além de barrar esse redesenho e construirmos um novo, da comunidade.

Nenhuma punição!
Contra esse redesenho!

Ainda o Redesenho

Continuamos dispostos a dialogar. Mas a entrada da tropa de choque mostrou até onde a reitoria está disposta a ir para fazer passar esse redesenho.
Por isso nós, do Barricadas, defendemos que nos mobilizemos para que as próximas reuniões do Consun (Conselho Universitário) não aconteçam. Ainda há duas reuniões marcadas, inclusive a fatídica do dia 12 de dezembro, para qual está marcada a votação final do redesenho. Nós podemos inviabilizar essas reuniões, forçando que essas votações não aconteçam.

A organização é necessária

Em vista de tudo isso, precisamos manter a organização que estava acontecendo e melhorando a cada dia na ocupação. Um passo importante para retomarmos esse processo é reativarmos todas as comissões.
Todas elas ainda são necessárias. É fundamental que retomemos o processo de comunicação, voltando a produzir boletins e chamando a atenção da imprensa. Mesmo a comissão de segurança ainda é necessária, como nos mostrou o ato de ontem, no qual ela teria facilitado nossa vida. Se queremos mudanças na PUC, precisamos voltar a nos organizar e reativar as comissões.
Além disso, o movimento precisa tomar para si a proposta aprovada na última assembléia da realização de um plebiscito, com perguntas sobre o redesenho e a reitoria. Precisamos urgentemente constituir uma comissão, com no mínimo um estudante de cada curso, para fazer essa ação virar realidade.

Medidas legais

Há várias medidas legais que podemos usar como margem de manobra para ganharmos tempo e fôlego. É preciso estudar essas medidas, que podem atrasar o processo de redesenho e das punições.
Como essas são duas pautas urgentes, ganharmos tempo é fundamental. O movimento está crescendo, estamos ganhando força. A entrada do choque foi um tiro no pé da reitoria. Quando se pensava que seria um duro golpe no movimento, aconteceu o contrário: cada vez mais pessoas estão apoiando e participando.

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Por que o CAVH não irá discutir as mensalidades

Dezembro 26, 2007 · Deixe um comentário

São Paulo, 7 de novembro de 2007

CARTA ABERTA DO CENTRO ACADÊMICO VLADIMIR HERZOG

SENHOR MARCO DANTAS (Superintendente da Fundação Cásper Líbero),
SR. ALÍPIO RODRIGUES (Secretário Geral da Faculdade Cásper Líbero),
PROF. CLÁUDIO ARANTES (Professor observador das reuniões de mensalidade),
PROF. TEREZA VITALI (Diretora da Faculdade Cásper Líbero),
SR. PAULO CAMARDA (Presidente da Fundação Cásper Líbero),

O Centro Acadêmico Vladimir Herzog vem por meio desta afirmar publicamente que não participará em momento algum de nenhum espaço que utilize a presença da representação estudantil como forma de legitimar aumentos de mensalidade já pré-definidos pela Fundação, apresentados em encontros absolutamente anti-democráticos, qualificados mentirosamente como negociação. Por esse motivo, o C.A. não participará da reunião convocada pelo Sr. Marco Dantas onde supostamente seriam negociadas as mensalidades para 2008.
Não há negociação possível entre Centro Acadêmico e Marco Dantas porque este é apenas um intransigente intermediário da Fundação, que já definiu quanto deve ser o aumento das mensalidades para que possa seguir mantendo suas nebulosas contas em dia. A presença de intermediários sem qualquer poder de decisão em todos os espaços da Faculdade é tática clássica da burocracia para dificultar e impossibilitar qualquer forma de contra-argumentação e contestação.
Não há negociação possível porque ano a ano as informações disponibilizadas são insuficientes, as planilhas de custos e gastos são incompletas e pouco confiáveis, não há tempo de avaliá-las ou possibilidade de sanar as inúmeras desconfianças quanto à veracidade das mesmas. As planilhas não incluem elementos suficientes para que se justifiquem os aumentos, não apresentando por exemplo as receitas da Faculdade e embaralhando diversas vezes custos da Faculdade e da Fundação.
Não há negociação possível entre Centro Acadêmico e um intermediário porque por mais que argumentos sejam levantados e discutidos eles jamais são levados em consideração. Marco Dantas é um burocrata sem qualquer conhecimento da Faculdade, sem qualquer compreensão desta como espaço de produção de conhecimento, encarando-a apenas da perspectiva dos números, como uma empresa que vende educação. Para ele e para a Fundação tanto faz se há gasto com livros ou com lâmpadas, com aumento do salário dos professores ou com elevadores que falam, o que importa é manter as contas da “empresa” em dia. A Fundação só não quer ter prejuízo, a Faculdade que se vire para satisfazer seus “clientes” com recursos escassos e mal planejados.
Não há negociação possível quando a elitização clamorosa do perfil dos estudantes da Cásper não é vista como um problema da Fundação, nem quando o aumento considerável da inadimplência e de alunos que não conseguem completar o curso e a queda da relação candidato/vaga não são relacionados com os preços abusivos da mensalidade.
Não há negociação possível entre Centro Acadêmico e Marco Dantas porque os aumentos são sempre injustificavelmente superiores à inflação. “Ao final do ano letivo pode haver reajuste de acordo com o índice de inflação do país” diz o site do Vestibular da Cásper Líbero. A inflação de 2006 foi de 3,7% e as mensalidades aumentaram 5,8%. Em 2005 a inflação era de 5,69% e o aumento foi de 6,5%.
O Centro Acadêmico Vladimir Herzog opta por não participar dessa farsa e não se submeter à imposição de regras unilaterais por parte da Fundação. O reajuste de mensalidades deve ser balizado por uma série de fatores tendo em vista a garantia do mais amplo acesso ao ensino, garantindo a diversidade dentro da Instituição. Os valores não devem ser apenas apresentados e sim devem ser definidos em conjunto por todos os envolvidos: alunos, funcionários e professores. São esses setores que devem formular e aprovar o eventual reajuste, que deve ser discutido também nos órgãos colegiados já constituídos, e em outras instâncias com maior participação estudantil. O índice de reajuste deve ser o menor possível, servindo apenas para garantir a manutenção dos cursos e não como fonte de renda que sustente outros setores da Fundação.
Para que a comunidade possa formular propostas com embasamento é indispensável que haja a abertura dos livros fiscais, possibilitando o acesso à informações regulares, claras e completas. Para além da planilha de custos, é necessário o acesso à receita da Faculdade assim como aos contratos das empresas que utilizam seus espaços (Xerox, Monet e o recém-infiltrado Tele-Marketing). Acordos e convênios devem ser previamente apresentados à comunidade para que os interesses desta sejam garantidos. Deve haver transparência nos investimentos que são feitos, com a participação de todos na tomada dessas decisões.
Como Fundação, a Cásper Líbero não tem fins lucrativos. As mensalidades da Faculdade, portanto, devem servir única e exclusivamente para cobrir os custos da manutenção do funcionamento da mesma (aumento de salários de professores e funcionários, investimentos em estrutura e equipamentos, etc.), jamais como forma de dar lucro.
A participação de estudantes, professores e funcionários não deve se restringir ao momento de reajuste de mensalidades. A comunidade tem o direito de intervir e opinar nos rumos da Faculdade de maneira efetiva, de modo que a Cásper seja de fato gerida por aqueles que a conhecem e não por membros da Fundação que utilizam a Diretoria para transmitir seus recados e garantir seus interesses.
Todo e qualquer aumento será mais uma vez abusivo, injustificável e imposto de cima para baixo por uma Fundação que não conhece nem quer conhecer a Faculdade, encarando esta apenas como mais uma fonte de renda. Qualquer aumento acima da inflação será, além de tudo, mentira deslavada e propaganda enganosa.

Centro Acadêmico Vladimir Herzog – gestão Mal Educados

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